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Porque nem todas as imagens cabem no Telejornal. Nem todos os graciosenses vivem na Graciosa. Este é um blogue com vídeos da ilha.
12 de julho na Casa do Povo
O grupo de teatro graciosense "A Semente" irá repôr a peça "Daqui fala o morto", na próxima 5ª feira, dia 12 de julho de 2012, pelas 21h00, na Casa do Povo da Praia.
Somos uma Região Autónoma que tem muito bom clima, mas muito mau tempo...
Construir uma unidade na diversidade não é tarefa fácil. O desenvolvimento dos Açores, que sempre conheceu velocidades desencontradas, é inseparável e indissociável de um factor histórico: a divisão administrativa destas ilhas em três ex-distritos, com claros benefícios para Ponta Delgada, Angra do Heroísmo e Horta. A lógica desta tripolaridade continua a prevalecer na mentalidade dos açorianos apesar de hoje sermos uma Região Autónoma.
Bem vistas as coisas, somos uma Região mais administrativa do que autónoma. Na prática, estas ilhas continuam divididas em três grupos: oriental, central e ocidental. É um fatalismo geográfico para quem há mais de quinhentos anos vive no meio do Atlântico. Por isso é compreensível que as ilhas com maiores recursos humanos e materiais se desenvolvam mais do que as outras. Dada a dispersão e diferenças das nove ilhas (e seus respectivos 19 concelhos) há que aprofundar a Autonomia, reforçando o poder legislativo regional e aperfeiçoando mecanismos de intervenção regional de política financeira.
Olhemos para a nossa História. Estas ilhas nunca foram um mar de rosas - desde os tempos dos primeiros povoadores... As dificuldades foram sempre muitas, desde as calamidades naturais e ao isolamento, passando pela sobranceria e indiferença com que Lisboa sempre olhou para estes penhascos vulcânicos. Infelizmente ainda há ilhas com gritantes assimetrias sociais e temos ainda a pior das pobrezas: a de espírito. A par do Alentejo somos estatisticamente a região mais pobre da Europa. Só que esta pobreza não significa necessariamente fome. Os rendimentos dos nossos idosos e pensionistas é que são muito baixos relativamente à média europeia.
É importante encarar a Autonomia não apenas numa lógica política, mas acima de tudo como um fenómeno cultural. Já o disse e repito: a Autonomia ou é um fenómeno cultural ou não é coisa nenhuma.
Temos que ter a consciência de que é através da cultura que poderemos marcar alguma diferença em tempos de globalização. Por isso é fundamental haver uma política de divulgação e de distribuição de bens culturais, dentro e fora da Região. Infelizmente tal não está a acontecer, já que não estamos a conseguir chegar ao outro lado do mar. E, dentro de portas, o cenário não é melhor: por exemplo, há livros que são publicados em São Miguel que não chegam à Terceira (e vice-versa) e outros editados no Faial que não chegam ao Pico...
Temos que ter a consciência de que é através da cultura que poderemos marcar alguma diferença em tempos de globalização.
Hoje falamos muito, mas comunicamos pouco.... E debatemos e reflectimos quase nada. A pujança editorial que se vive neste país (dito de poetas) está aliada a gigantescas acções promocionais e de marketing que nos levam a comprar livros como quem compra batatas ou sabão... Temos ainda uma cultura muito arreigada e cristalizada em valores do passado, e têm-nos faltado incentivos e estímulos à criação. É preciso olhar para a frente e encarar o futuro. Para tal não nos faltam excelentes recursos humanos.
Desgraçadamente Portugal não aposta na cultura como factor de desenvolvimento. As migalhas de 0,4% do orçamento geral do estado destinado à cultura é o que nos dão e, como se isto não bastasse, esse valor é ainda sujeito a cortes impostos pela troika... "Mísera sorte! Estranha condição!", diria o Velho do Restelo se fosse para aqui chamado.
Vivemos hoje de resignações televisivas, reality shows, concursos, telenovelas e outros futebóis. Os nossos jovens são um produto do audio-visual. Têm dificuldade em ler um texto literário de Eça de Queiroz, mas "papam" as 500 páginas do último "Harry Potter". A Língua de Camões está a saque. Não sou purista, mas custa-me muito ouvir diariamente as calinadas no léxico e os pontapés na sintaxe...
Por conseguinte, há que apostar numa política cultural dentro da Região e para o exterior. Há que valorizar a actividade cultural e fomentar a fruição cultural enquanto formas de preservação da identidade colectiva, potenciando-se assim um desenvolvimento equilibrado da sociedade açoriana.
A Graciosa está aqui. Porque nem todas as imagens cabem no Telejornal e nem todos os graciosenses vivem na Graciosa. O Graciosa Online é um blogue com vídeos, noticias e opinião da ilha branca, reserva da biosfera. Esta é a nossa janela para o mundo.
Projeto pioneiro nos Açores, desenvolvido por Luís Costa, jornalista, repórter residente da RTP/Açores na ilha Graciosa. Criado a 17 de novembro de 2009.
Este blogue foi "caso de estudo" na tese de mestrado da jornalista Fabiana Bravo: "O jornalismo hiper-local na era digital - o contributo do Graciosa Online para a RTP", defendida a 16 de julho de 2012 na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e obteve 16 valores.

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CRÓNICAS
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André Bruno Cristina
Cunha Silveira Cabeceiras
Fábio Gabriel Joana
Mendes Melo Ferreira
Jorge Júlio Luís
Cunha Mendonça Lobão
Lurdes Madalena M. Jorge
Cunha Picanço Lobão
Marco Merçes Miguel
Martins Coelho Estorninho
Paulo Rita Rita
Aranha Ávila Silva
Rogério Rui Sérgio
Mendonça Carneiro Mendonça
Sofia Teresa Vânia
Rocha Reis Bettencourt
Victor William
Rui Dores Brenuvida
Luís Tiago José
Pereira Avelar Ávila
Pólo Local de Prevenção
e Combate à Violência Doméstica da Graciosa
VIDEOS RECENTES
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Marítimo garante manutenção
Falta de medicamentos
Moto Club inaugura nova sede
Espírito Santo no Lar da Praia
EM CARTAZ

AGENDA CULTURAL
Museu da Graciosa
CINEMA
Centro Cultural da Ilha Graciosa
LINCOLN
24 maio

O IMPOSSIVEL
31 maio

Bilheteira: 20h30 | Sessão: 21h30
GRACIOSA LHE CHAMARAM...
A Ilha Graciosa desenha-se ao longe
como dois bocados de pão mal partidos
Vitorino Nemésio, in
Corsário das Ilhas
Ei-la surgindo mimosa
das águas do fundo do mar,
Rainha leda e garbosa
No Atlântico a reinar!
Esmeralda dos Açores,
Lindo açafate de flores,
Feitiço de mil primores,
Berço gentil de amores!
Oh, pátria, te vou cantar.
António Gil, 1868
A Graciosa dum verde
muito tenro acabando
dum lado e do outro
em penhascos decorativos...
Raul Brandão, in
As Ilhas Desconhecidas"À primeira vista" parece por vezes, ser uma paisagem agreste; mas logo surge uma encosta florida, uma Feteira de arvoredo frondoso, um vale das Courelas com suas culturas e os afamados vinhedos da Terra do Conde, e outros motivos que nos alegram a vista.
José Simões Borges, in
Manhãs de Sábado Amo as rochas empinhadas
que ao oeste e norte dão
- pontas da serra escalvadas
- Do Pico Negro a negridão;
Amo as costas do nascente
Onde as ondas mansamente
Vão quebrar sua corrente
No areal tão luzente
Do sol ao mago clarão.
António Gil, 1868
Quem te pôs nome tão
lindo,
Que é tão próprio,
tão teu,
Nos legou eterna prova
Do bom gosto e génio seu...
António Borges do Canto Moniz, in
Ilha Graciosa
Falar desta ilha é,
antes demais,
falar do paraíso perdido
na minha infância,
isto é, da alegria
dos meus verdes anos.
Victor Rui Dores, in
A Graciosa Ilha
Que risonho panorama,
Que subline inspiração!
Se o meu estro se par'cesse
Ao que o sente o coração,
Em torrentes de poesia
Te inundara, ilha formosa.
E um poema escreveria,
Que eu chamara - GRACIOSA.
João Hermeto d'Amarante, in
Páginas de Prosa e Verso Santa Cruz, a capital
É a mais linda p'ra mim
das vilas de Portugal
Santa Cruz é um jardim.
Guadalupe, linda aldeia
Onde crescem os trigais
No céu, linda lua cheia
Ilumina seus casais.
A Praia olhando o mar
Sorri contente ao ilhéu
E o sul vive a sonhar
Com a Luz olhando o céu.
Juventino Silva Correia, in
Juventino Ramos, poeta cantador
E aquela gente!!! De sorriso sempre aberto, mesmo que o coração se lhes doa, mesmo que a velhice as consuma, mesmo que a pobreza se lhes aperte...
Rosa Meireles, in
Graciosa ilha serena
Aqui
entre o azul
e o mar que me circunda
é quase perfeita a coincidência.
Atrevida e fugazmente desfeita
por um verde envergonhado
que acaba sempre azul
ou categoricamente esfacelada
por um inequívoco e invernal
cinzento.
E no âmago do liquido,
lá onde a luz se perde
e onde a luz se faz,
a abissal fosforescência
de peixes misteriosos,
a ondulante e sensual
insinuação das algas
e a secreta e vital marca
do mais remoto início.
E lá ficamos
plasmados num horizonte
vertical e marítimo
onde bate sereno e azul
o nosso olhar.
Ouve-se então
claro e inconfundível
o grito
da criação.
Manuel Jorge Lobão, in
Passam Seres Luminosos Vestidos de Vermelho
Aqui deixamos a
Ilha Graciosa,
ao por do sol,
que fica à espera
daqueles que sabem
apreciar a natureza
em toda a sua força,
por vezes quase
selvagem!
Norberto da Cunha Pacheco, in
Graciosa, Imagens e Palavras
Branca,
desmaia-te o gesto
na brisa que poisa,
borboleia-te
a cor do íris
que poiso breve,
melodia-te
o negro azulado,
húmido,
do grito em serenata,
rendeia-te
o frio de chuva,
bailarino
voado em vento,
baralha-te
o pingo de água,
lágrima de telha,
beiral
de nada abrigo...
José Berto