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Porque nem todas as imagens cabem no Telejornal. Nem todos os graciosenses vivem na Graciosa. Este é um blogue com vídeos da ilha.
Autarquia colabora nos Jogos Desportivos

A Escola Básica e Secundaria da Graciosa vai organizar a XXIII edição dos Jogos Desportivos Escolares, do 2º ciclo, que se realizam de 21 a 24 de Maio de 2012. O evento conta com a colaboração da Câmara Municipal conforme deliberação aprovada esta quinta-feira em reunião do executivo.
No seu habitual encontro quinzenal, a Câmara de Santa Cruz também decidiu colaborar na realização das Festas do Divino Espírito que a Escola promove entre 11 e 16 de junho.
Por outro lado, foi decidido atribuir um prémio de 600 euros aos melhores alunos do ensino básico e secundário, bem como suportar a deslocação do professor que acompanhará o aluno do 9º ano, seleccionado para representar a Escola da Graciosa na atribuição no prémio "Frias Martins 2012", que se realiza em Santa Maria.
Outros
A Câmara Municipal de Santa Cruz da Graciosa deliberou esta quinta-feira, na sequência de medidas similares anteriores, apoiar as festas da paróquia de S. Mateus, designadamente: S. Mateus, 1875 euros; Sant'Ana, 490 euros; Senhora da Saúde, 490 euros; Senhora da Guia, 490 euros; e Senhora do Livramento e Santa Quitéria, 1125 euros.
Foi ainda deliberado colaborar na realização da II Feira da Saúde, a promover no dia 20 de Maio pela Unidade de Saúde da Graciosa, e colaborar no Encontro de Gestores de Clientes Açores 2012 que se realiza na Graciosa a 26 de maio.
Pinturas da capela culminam obras de restauro

Meio milhão de euros e cinco anos depois, está como nova a Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Luz. O edifício foi restaurado por dentro e por fora e tem o primeiro carrilhão do grupo central. Ao lado foi construída uma sala de velórios.
As pinturas do tecto da capela que era de madeira, à semelhança do corpo da igreja, foram as obras mais recentes e inauguradas esta semana. A dedicação do templo, presidida pelo Bispo de Angra, ocorreu no passado domingo.
Na impossibilidade de estarmos na cerimónia, por razões profissionais, onde também esteve presente do secretário regional da Ciência, Tecnologia e Equipamentos, fomos conhecer o novo rosto da capela e conversar com o pároco responsável pelas obras.

Obras continuam no Centro Social
A Paróquia da Luz construiu a sua primeira ermida há mais de 400 anos. Mas a actual igreja é já o terceiro templo da freguesia mais pequena da Graciosa, que já não atinge os 700 habitantes e está mais afastada da sede do Concelho.
Muitos colaboraram em jantares de angariação de fundos na ilha e nas comunidades de emigrantes. Foi também essencial o apoio das entidades públicas, designadamente as autarquias locais e o governo, através da Secretaria Regional da Ciência, Tecnologia e Equipamentos.
Agora, é no Centro Social e Paroquial de Nossa Senhora da Luz que prosseguem as obras. As obras destinam-se a abrir um Centro de Dia para Idosos, onde já funciona um Centro de Convívio, o Pólo Local de Prevenção e Combate à Violência Doméstica, um ATL e a loja RIAC.
Dos 5 anos de trabalho nas paróquias de Guadalupe e da Luz, o padre Dinis Silveira deixa as igrejas restauradas, centros paroquiais novos e salas de velório. Em Agosto vai sair da Graciosa para prosseguir a sua formação em Roma.
Quero falar de Palmira Mendes Enes. Ideias e assuntos chovem em cascata. A razão para isso reside no fato dessa ilustre senhora de Santa Cruz da Graciosa ter saído do anonimato nas primeiras décadas do século XX por via da sua dedicação plena à Arte. Foi pianista, encenadora, compositora, organista, professora, pintora, poetisa... Este espaço é demasiado curto para abordar uma personalidade tão arrebatadora. Por isso, falarei hoje apenas da Palmira Mendes Enes pintora, faceta que pode ser apreciada por todos nós num espaço público aqui tão perto.
muito hábil professora de piano, de lavores e pintura que, pelas suas notáveis aptidões artísticas, se distingue entre a sociedade da Vila de Santa Cruz
Foi sobretudo durante a sua estadia na vizinha ilha Terceira (na década de 40) que Palmira Mendes Enes desenvolveu intensa atividade como pintora. Isso mesmo foi noticiado no Diário Insular (data desconhecida):
"Outra festa promoveu a Sociedade Recreio dos Artistas, em homenagem à senhora D. Palmira Mendes Enes, muito hábil professora de piano, de lavores e pintura que, pelas suas notáveis aptidões artísticas, se distingue entre a sociedade da Vila de Santa Cruz e cujo talento já é reconhecido fora da ilha, especialmente em Angra, onde alguns dos seus excelentes trabalhos de pintura já foram expostos, merecendo o mehor apreço e as mais honrosas classificações.
Entre outras demonstrações de admiração, foi inaugurado na sala da Recreio a fotografia da distinta homenageada, a quem respeitosa e sinceramente felicitamos". (1)
A insigne graciosense esteve profissionalmente ligada à Base das Lages. Deu aulas de música na Secção Recreativa, tendo para esse fim um espaço disponibilizado pelo teatro Azorea. Foi igualmente responsável pela direção musical do grupo coral e organista da Igreja de Nossa Senhora do Sor, após o convite que lhe dirigiu o capelão da Base na época, o capitão Lino Vieira Fagundes. Sob a batuta do violinista Álvaro Carreiro, Palmira Mendes Enes integrou como pianista a orquestra AeroJazz, pioneira do género nos Açores, a qual se apresentava regularmente no Clube de Oficiais. Enfim, uma vida musical coroada de êxitos.
É neste contexto que surge uma das suas obras pictóricas mais emblemáticas. Trata-se de um quadro a óleo dedicado à travessia aérea do Atlântico levada a cabo por Gago Coutinho e Sacadura Cabral, oferecido ao Comandante da referida Base. O mesmo esteve exposto durante muito tempo no seu gabinete e continha a seguinte inscrição - "Um beijo através do Oceano". Outro quadro pintado por Palmira Mendes Enes mereceu várias encomendas por parte de oficiais americanos. Simples na sua concepção, complexo na sua mensagem. Um jovem espreita através da fechadura. Os cestos de fruta pousados indicam a sua condição social. Como interpretar esta imagem? Poderemos encarar este jovem como símbolo do povo açoriano? Será uma leitura possível. O retrato de uma região periférica, fechada sobre si durante décadas, muitas vezes esquecida, que, inocente, espreita para o desconhecido procurando adivinhar a mudança que se avizinha.
Simples na sua concepção, complexo na sua mensagem.
Para ver de perto um quadro pintado por Palmira Mendes Enes os graciosenses não precisam de se deslocar à Terceira. Na antiga capela batismal da Matriz de São Mateus encontram-se expostos dois belos exemplares. De temática religiosa, foram pintados em 1936 por encomenda do pároco local. Um é dedicado ao Batismo de Cristo e o outro ao Julgamento Final.
Estas simples palavras servem o propósito de informar os caríssimos leitores de modo a impedir que, por vezes, pequenos tesouros lhes passem ao lado. Em boa hora, por exemplo, o musicólogo Manuel Morais identificou em 2007, ainda que por acaso, um quadro de Tintoretto guardado no mosteiro beneditino de Singeverga em Santo Tirso (fato que foi comentado durante meses nos corredores do velhinho Convento do Carmo, em Évora). Não serei eu a dizer se os quadros de Palmira Mendes Enes são pequenos ou grandes tesouros. Mas posso e devo dizer que tenho muito orgulho em ter sido ela a pintar aqueles que se encontram expostos na igreja onde fui batizado.
(1) Dados gentilmente cedidos pelo filho de Palmira Mendes Enes, Humberto Mendes Bettencourt , em 2009.
A Graciosa está aqui. Porque nem todas as imagens cabem no Telejornal e nem todos os graciosenses vivem na Graciosa. O Graciosa Online é um blogue com vídeos, noticias e opinião da ilha branca, reserva da biosfera. Esta é a nossa janela para o mundo.
Projeto pioneiro nos Açores, desenvolvido por Luís Costa, jornalista, repórter residente da RTP/Açores na ilha Graciosa. Criado a 17 de novembro de 2009.
Este blogue foi "caso de estudo" na tese de mestrado da jornalista Fabiana Bravo: "O jornalismo hiper-local na era digital - o contributo do Graciosa Online para a RTP", defendida a 16 de julho de 2012 na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e obteve 16 valores.

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CRÓNICAS
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André Bruno Cristina
Cunha Silveira Cabeceiras
Fábio Gabriel Joana
Mendes Melo Ferreira
Jorge Júlio Luís
Cunha Mendonça Lobão
Lurdes Madalena M. Jorge
Cunha Picanço Lobão
Marco Merçes Miguel
Martins Coelho Estorninho
Paulo Rita Rita
Aranha Ávila Silva
Rogério Rui Sérgio
Mendonça Carneiro Mendonça
Sofia Teresa Vânia
Rocha Reis Bettencourt
Victor William
Rui Dores Brenuvida
Luís Tiago José
Pereira Avelar Ávila
Pólo Local de Prevenção
e Combate à Violência Doméstica da Graciosa
VIDEOS RECENTES
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Falta de medicamentos
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EM CARTAZ

AGENDA CULTURAL
Museu da Graciosa
CINEMA
Centro Cultural da Ilha Graciosa
LINCOLN
24 maio

O IMPOSSIVEL
31 maio

Bilheteira: 20h30 | Sessão: 21h30
GRACIOSA LHE CHAMARAM...
A Ilha Graciosa desenha-se ao longe
como dois bocados de pão mal partidos
Vitorino Nemésio, in
Corsário das Ilhas
Ei-la surgindo mimosa
das águas do fundo do mar,
Rainha leda e garbosa
No Atlântico a reinar!
Esmeralda dos Açores,
Lindo açafate de flores,
Feitiço de mil primores,
Berço gentil de amores!
Oh, pátria, te vou cantar.
António Gil, 1868
A Graciosa dum verde
muito tenro acabando
dum lado e do outro
em penhascos decorativos...
Raul Brandão, in
As Ilhas Desconhecidas"À primeira vista" parece por vezes, ser uma paisagem agreste; mas logo surge uma encosta florida, uma Feteira de arvoredo frondoso, um vale das Courelas com suas culturas e os afamados vinhedos da Terra do Conde, e outros motivos que nos alegram a vista.
José Simões Borges, in
Manhãs de Sábado Amo as rochas empinhadas
que ao oeste e norte dão
- pontas da serra escalvadas
- Do Pico Negro a negridão;
Amo as costas do nascente
Onde as ondas mansamente
Vão quebrar sua corrente
No areal tão luzente
Do sol ao mago clarão.
António Gil, 1868
Quem te pôs nome tão
lindo,
Que é tão próprio,
tão teu,
Nos legou eterna prova
Do bom gosto e génio seu...
António Borges do Canto Moniz, in
Ilha Graciosa
Falar desta ilha é,
antes demais,
falar do paraíso perdido
na minha infância,
isto é, da alegria
dos meus verdes anos.
Victor Rui Dores, in
A Graciosa Ilha
Que risonho panorama,
Que subline inspiração!
Se o meu estro se par'cesse
Ao que o sente o coração,
Em torrentes de poesia
Te inundara, ilha formosa.
E um poema escreveria,
Que eu chamara - GRACIOSA.
João Hermeto d'Amarante, in
Páginas de Prosa e Verso Santa Cruz, a capital
É a mais linda p'ra mim
das vilas de Portugal
Santa Cruz é um jardim.
Guadalupe, linda aldeia
Onde crescem os trigais
No céu, linda lua cheia
Ilumina seus casais.
A Praia olhando o mar
Sorri contente ao ilhéu
E o sul vive a sonhar
Com a Luz olhando o céu.
Juventino Silva Correia, in
Juventino Ramos, poeta cantador
E aquela gente!!! De sorriso sempre aberto, mesmo que o coração se lhes doa, mesmo que a velhice as consuma, mesmo que a pobreza se lhes aperte...
Rosa Meireles, in
Graciosa ilha serena
Aqui
entre o azul
e o mar que me circunda
é quase perfeita a coincidência.
Atrevida e fugazmente desfeita
por um verde envergonhado
que acaba sempre azul
ou categoricamente esfacelada
por um inequívoco e invernal
cinzento.
E no âmago do liquido,
lá onde a luz se perde
e onde a luz se faz,
a abissal fosforescência
de peixes misteriosos,
a ondulante e sensual
insinuação das algas
e a secreta e vital marca
do mais remoto início.
E lá ficamos
plasmados num horizonte
vertical e marítimo
onde bate sereno e azul
o nosso olhar.
Ouve-se então
claro e inconfundível
o grito
da criação.
Manuel Jorge Lobão, in
Passam Seres Luminosos Vestidos de Vermelho
Aqui deixamos a
Ilha Graciosa,
ao por do sol,
que fica à espera
daqueles que sabem
apreciar a natureza
em toda a sua força,
por vezes quase
selvagem!
Norberto da Cunha Pacheco, in
Graciosa, Imagens e Palavras
Branca,
desmaia-te o gesto
na brisa que poisa,
borboleia-te
a cor do íris
que poiso breve,
melodia-te
o negro azulado,
húmido,
do grito em serenata,
rendeia-te
o frio de chuva,
bailarino
voado em vento,
baralha-te
o pingo de água,
lágrima de telha,
beiral
de nada abrigo...
José Berto