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Porque nem todas as imagens cabem no Telejornal. Nem todos os graciosenses vivem na Graciosa. Este é um blogue com vídeos da ilha.
Luís Guerreiro rende Sérgio Abreu no Guadalupe
Sérgio Abreu já não é treinador do Sporting de Guadalupe e terá deixado a equipa durante o treino desta terça-feira.
Em declarações à Antena 1 Açores, Sérgio Abreu confirmou a saída que terá sido consequência do "amadorismo" relacionado com a viagem ao Pico que será efectuada de barco.
Luís Guerreiro será o substituto para acabar a época e tentar salvar a equipa da descida de divisão. O treinador que já esteve no Guadalupe na temporada de 2008/09 também já tinha rendido Sérgio Abreu, no Marítimo, no final da época de 2006/07.
Sérgio Abreu chegou ao Guadalupe em janeiro de 2012 para ocupar o lugar de João Picanço. Nos 10 jogos em que orientou a equipa no campeonato da Série Açores, Sérgio Abreu ganhou 3, empatou 1 e perdeu 6. (João Picanço ganhou 4 jogos, empatou 2 e perdeu 6).
Confirmada que está a descida do Angrense à III Divisão, o Guadalupe está em zona de despromoção a 4 pontos do Sporting Ideal.
Boletim Municipal destaca Carnaval da Graciosa
O Boletim Municipal referente ao primeiro trimestre de 2012 já está disponível no Sítio do Município na Internet.
Esta edição puxa para capa o carnaval graciosense que destaca nas páginas interiores com fotografias do desfile das escolas e do desfile das fantasias de grupo no pavilhão desportivo.
A publicação, que brevemente será distribuída em papel, ilustra também as obras que a Câmara Municipal tem vindo a desenvolver. A requalificação do centro de Santa Cruz e da Estrada do Beco na Luz são as intervenções em curso mais significativas.
A ultima página trás o calendário das festas para o verão de 2012, que é semelhante ao ano anterior, com as festas da Fonte do Mato previstas, novamente, para o mês de julho.
Gui Heber Bettencourt Louro
(13/02/1936 - 16/04/1982)
No dia 11 de julho de 1981 estava a cumprir o serviço militar em S. Miguel. No quartel da Castanheira preparei-me para ver na televisão do bar um momento importante para todos os Graciosenses: a inauguração do aeroporto.
Nesse tempo, e até essa altura, a mobilidade de pessoas e bens acontecia unicamente por via marítima. Eram os tempos de glória do velhinho Ponta Delgada, que, até aí, aportava em todas ilhas, primeiro de oriente para ocidente e depois ao contrário. Nos verões havia o reforço das ligações marítimas feitas pelos barcos Espírito Santo, Santo Amaro e Terra Alta, que, em vagarosas viagens, iam resolvendo as nossas necessidades mais prementes, por vezes em condições bem severas, que faziam de cada viagem uma aventura que, quando contada aos amigos, podia dar uma história.
Naquele dia todos os caminhos iam dar ao novo aeroporto e a população acorreu em força, passando pela antiga canada Nova, agora transformada numa bonita estrada, em direção á recém-construída aerogare, para apreciar a primeira aterragem de um avião comercial nesta ilha e depois ouvir os discursos da praxe, integrados na cerimónia oficial.
Estavam presentes as mais altas individualidades dos Açores e o primeiro-ministro de Portugal, Dr. Pinto Balsemão. Sinceramente não me recordo, de todo, da ordem das intervenções. Sei que foi o senhor Gui, presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz da Graciosa da altura, que chamou à atenção de todos os presentes e daqueles que viram através da televisão, como eu. Fez um discurso interrompido, de quando em vez, por silêncios em que fartas lágrimas escorriam pelo seu rosto. A emoção tomou conta de muitos dos presentes, que, naquele momento, também sentiram um aperto no peito. Foi a intervenção, de corpo e alma, de um homem que representava o seu povo num momento histórico em que se rompia definitivamente com um isolamento de séculos. O próprio primeiro-ministro referiu esse momento com uma contida emoção.
O senhor Gui Louro foi um dos fundadores nesta ilha do Partido Popular Democrático, agora designado por Partido Social Democrata, e em 12 de dezembro de 1976, data das primeiras eleições autárquicas após a revolução dos cravos, é eleito Presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz da Graciosa. Em 16 de dezembro de 1979 é reeleito e exerce o cargo até ao dia da sua morte.
É na qualidade de responsável autárquico que assiste a outros momentos importantes para a nossa ilha, como a entrada em funcionamento do porto comercial e a inauguração do entreposto frigorífico que, juntamente com o aeroporto, faziam parte dos primeiros grandes investimentos perpetrados depois da conquista da autonomia dos Açores.
O sismo de 1980 foi outro acontecimento que viveu enquanto exercia funções públicas. Foi um momento dramático, sem dúvida, que exigiu dele uma entrega extraordinária tendo em conta a necessidade de organizar todo o processo de reconstrução.
Impulsiona a constituição da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Ilha Graciosa, da qual foi sócio fundador. Conta-se que no dia do desembarque da primeira viatura dos bombeiros, feita ainda com o barco ancorado, o comandante do navio ter-se-á recusado a fazer a descarga devido aos riscos que a operação envolvia e foi o senhor Gui Louro que se deslocou ao porto para se responsabilizar pessoalmente por aquela manobra. Hoje essa viatura, embora já fora de serviço, ainda ostenta o seu nome.
Nas suas andanças na atividade política foi ainda, durante um mês, Deputado na Assembleia Regional dos Açores.
Antes de se dedicar à vida pública o senhor Gui foi funcionário do tribunal e, nessa qualidade, chega a viver alguns anos na vizinha ilha Terceira. Quando regressa dedica-se ao comércio e, mais tarde, concorre e exerce funções na Fundação Calouste Gulbenkian que, como se sabe, tinha uma biblioteca itinerante que percorria toda a ilha na busca de leitores. Nessa altura obtém a carteira profissional de solicitador função que exerce em acumulação. Os conhecimentos que possuía nessa área foram-lhe muito úteis aquando das expropriações dos terrenos onde foi construído o aeroporto.
Nos seus tempos livres gostava de participar em caçadas com os amigos, que acabavam, invariavelmente, em alegres jantaradas. O mergulho também era uma das suas paixões, chegando a dizer aos seus mais próximos que era no mar que se sentia verdadeiramente livre. Dedicava também algum tempo a tratar da sua coleção de selos.
O senhor Gui Louro foi um político determinado e que acreditava no que fazia. Era intransigente quando estava em causa a defesa da sua amada ilha. Ao mesmo tempo era um sonhador e homem de paixões. Pela sua terra fez o melhor que soube e pôde, sem nunca esperar nada em troca.
A Graciosa está aqui. Porque nem todas as imagens cabem no Telejornal e nem todos os graciosenses vivem na Graciosa. O Graciosa Online é um blogue com vídeos, noticias e opinião da ilha branca, reserva da biosfera. Esta é a nossa janela para o mundo.
Projeto pioneiro nos Açores, desenvolvido por Luís Costa, jornalista, repórter residente da RTP/Açores na ilha Graciosa. Criado a 17 de novembro de 2009.
Este blogue foi "caso de estudo" na tese de mestrado da jornalista Fabiana Bravo: "O jornalismo hiper-local na era digital - o contributo do Graciosa Online para a RTP", defendida a 16 de julho de 2012 na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e obteve 16 valores.

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CRÓNICAS
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André Bruno Cristina
Cunha Silveira Cabeceiras
Fábio Gabriel Joana
Mendes Melo Ferreira
Jorge Júlio Luís
Cunha Mendonça Lobão
Lurdes Madalena M. Jorge
Cunha Picanço Lobão
Marco Merçes Miguel
Martins Coelho Estorninho
Paulo Rita Rita
Aranha Ávila Silva
Rogério Rui Sérgio
Mendonça Carneiro Mendonça
Sofia Teresa Vânia
Rocha Reis Bettencourt
Victor William
Rui Dores Brenuvida
Luís Tiago José
Pereira Avelar Ávila
Pólo Local de Prevenção
e Combate à Violência Doméstica da Graciosa
VIDEOS RECENTES
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Marítimo garante manutenção
Falta de medicamentos
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Espírito Santo no Lar da Praia
EM CARTAZ

AGENDA CULTURAL
Museu da Graciosa
CINEMA
Centro Cultural da Ilha Graciosa
LINCOLN
24 maio

O IMPOSSIVEL
31 maio

Bilheteira: 20h30 | Sessão: 21h30
GRACIOSA LHE CHAMARAM...
A Ilha Graciosa desenha-se ao longe
como dois bocados de pão mal partidos
Vitorino Nemésio, in
Corsário das Ilhas
Ei-la surgindo mimosa
das águas do fundo do mar,
Rainha leda e garbosa
No Atlântico a reinar!
Esmeralda dos Açores,
Lindo açafate de flores,
Feitiço de mil primores,
Berço gentil de amores!
Oh, pátria, te vou cantar.
António Gil, 1868
A Graciosa dum verde
muito tenro acabando
dum lado e do outro
em penhascos decorativos...
Raul Brandão, in
As Ilhas Desconhecidas"À primeira vista" parece por vezes, ser uma paisagem agreste; mas logo surge uma encosta florida, uma Feteira de arvoredo frondoso, um vale das Courelas com suas culturas e os afamados vinhedos da Terra do Conde, e outros motivos que nos alegram a vista.
José Simões Borges, in
Manhãs de Sábado Amo as rochas empinhadas
que ao oeste e norte dão
- pontas da serra escalvadas
- Do Pico Negro a negridão;
Amo as costas do nascente
Onde as ondas mansamente
Vão quebrar sua corrente
No areal tão luzente
Do sol ao mago clarão.
António Gil, 1868
Quem te pôs nome tão
lindo,
Que é tão próprio,
tão teu,
Nos legou eterna prova
Do bom gosto e génio seu...
António Borges do Canto Moniz, in
Ilha Graciosa
Falar desta ilha é,
antes demais,
falar do paraíso perdido
na minha infância,
isto é, da alegria
dos meus verdes anos.
Victor Rui Dores, in
A Graciosa Ilha
Que risonho panorama,
Que subline inspiração!
Se o meu estro se par'cesse
Ao que o sente o coração,
Em torrentes de poesia
Te inundara, ilha formosa.
E um poema escreveria,
Que eu chamara - GRACIOSA.
João Hermeto d'Amarante, in
Páginas de Prosa e Verso Santa Cruz, a capital
É a mais linda p'ra mim
das vilas de Portugal
Santa Cruz é um jardim.
Guadalupe, linda aldeia
Onde crescem os trigais
No céu, linda lua cheia
Ilumina seus casais.
A Praia olhando o mar
Sorri contente ao ilhéu
E o sul vive a sonhar
Com a Luz olhando o céu.
Juventino Silva Correia, in
Juventino Ramos, poeta cantador
E aquela gente!!! De sorriso sempre aberto, mesmo que o coração se lhes doa, mesmo que a velhice as consuma, mesmo que a pobreza se lhes aperte...
Rosa Meireles, in
Graciosa ilha serena
Aqui
entre o azul
e o mar que me circunda
é quase perfeita a coincidência.
Atrevida e fugazmente desfeita
por um verde envergonhado
que acaba sempre azul
ou categoricamente esfacelada
por um inequívoco e invernal
cinzento.
E no âmago do liquido,
lá onde a luz se perde
e onde a luz se faz,
a abissal fosforescência
de peixes misteriosos,
a ondulante e sensual
insinuação das algas
e a secreta e vital marca
do mais remoto início.
E lá ficamos
plasmados num horizonte
vertical e marítimo
onde bate sereno e azul
o nosso olhar.
Ouve-se então
claro e inconfundível
o grito
da criação.
Manuel Jorge Lobão, in
Passam Seres Luminosos Vestidos de Vermelho
Aqui deixamos a
Ilha Graciosa,
ao por do sol,
que fica à espera
daqueles que sabem
apreciar a natureza
em toda a sua força,
por vezes quase
selvagem!
Norberto da Cunha Pacheco, in
Graciosa, Imagens e Palavras
Branca,
desmaia-te o gesto
na brisa que poisa,
borboleia-te
a cor do íris
que poiso breve,
melodia-te
o negro azulado,
húmido,
do grito em serenata,
rendeia-te
o frio de chuva,
bailarino
voado em vento,
baralha-te
o pingo de água,
lágrima de telha,
beiral
de nada abrigo...
José Berto