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Sábado, 25 de Maio de 2013
Pesquisa na RTP Açores - Informação e Desporto

Graciosa Online

Porque nem todas as imagens cabem no Telejornal. Nem todos os graciosenses vivem na Graciosa. Este é um blogue com vídeos da ilha.

Luís Costa

2012-05-13 01:53:32

Maria de Nazaré




O mês de Maio é chamado desde há alguns anos o mês de Maria, facto que se deve às aparições na Cova da Iria. Não muito antigamente celebrava-se o dia da mãe a oito de Dezembro dia da Imaculada; sem dúvida, na minha modesta opinião, um dia com mais sentido para celebrar a Mãe de Deus e as nossas mães. Hoje celebramos no primeiro domingo de Maio, para coroar, podíamos dizer, o início do mês com a presença da Mãe.

Dia 13 de Maio o mundo católico veste-se de festa para celebrar Fátima, a Cova da Iria é pequena nesse dia para a multidão que aflui ali, vinda dos quatro cantos do mundo, numa manifestação impressionante de religiosidade popular, e claro também de fé.

O culto a Fátima é um fenómeno deveras impressionante; quase todo o português que se preze tem uma imagem da Senhora no seu lar; as Igrejas têm... Enfim, Maio e Outubro são meses Marianos e isso ninguém pode contrariar...

Mas agora olhemos para Maria de Nazaré, mulher simples... Será que algum dia sonhou com todas estas honrarias? É muito importante que honremos a nossa Mãe do Céu sim; sem dúvida que Maria é digna de todo o louvor, ela é "a honra do nosso povo"... Infelizmente muitas vezes caímos num certo tipo de romantismo e, sei lá, com algum fanatismo à mistura, esquecemos o essencial de Maria.

olhando para Maria, encontremos um modelo de fé, de testemunho, de entrega à realização do plano de Deus

Maria de Nazaré, mulher simples e humilde, continua ainda hoje no silêncio a apontar para o filho e a dizer "fazei tudo o que ele vos disser"(Jo 2, 5). Sem dúvida que mais que todo o aparato que podemos fazer á volta duma imagem que nos remete para a figura da Mãe, o mais importante, e este aparato só terá sentido, quando formos capazes de imitar duas coisas essenciais de Maria: a entrega que ela fez de si própria a Deus e a entrega que fez de Deus aos Homens. Mulher de fé, soube toda a sua vida entregar-se de forma incondicional à vontade do seu Deus; olhando para Maria, encontremos um modelo de fé, de testemunho, de entrega à realização do plano de Deus. Quantas vezes rezamos no "Pai Nosso", "seja feita a vossa vontade", quando sabemos que só nos interessa que seja feita a "nossa" vontade; olhemos para Maria... Ela é também aquela que melhor entrega Deus aos Homens, de forma total, na figura do filho Jesus. Todo o cristão é convidado a entregar Deus aos Homens, como Maria, fazendo-o incarnar na sua vida quotidiana, nos seus gestos e atitudes.  

A mãe aponta-nos sempre para o filho... Ele que também neste mês é celebrado no grupo oriental dos Açores com a invocação de "Santo Cristo"... e mais uma vez vamos ver "o Cristo" adornado em todo o seu esplendor, sinal do culto que o crente lhe quer prestar, do agradecimento, da homenagem... é importante ser agradecido por tudo o que Deus faz em nós e através de nós, mas perante todo este aparato religioso à volta da imagem do "ecce homo" uma vez mais nos é dito pelo próprio Deus "não são os holocaustos e os sacrifícios que me agradam, mas sim um coração humilhado e contrito." O verdadeiro culto é o interior, por isso qualquer manifestação exterior só ganha sentido quando parte do encontro com Deus no interior de cada um. Antes da manifestação, a imitação.

Celebrar a Mãe não tem dia, quando a celebrarmos, celebremos o filho... a melhor celebração dos dois será imitá-los; quando assim fizermos estaremos a percorrer o verdadeiro caminho de Nazaré.

por: Sérgio Mendonça



A Graciosa está aqui. Porque nem todas as imagens cabem no Telejornal e nem todos os graciosenses vivem na Graciosa. O Graciosa Online é um blogue com vídeos, noticias e opinião da ilha branca, reserva da biosfera. Esta é a nossa janela para o mundo.

Projeto pioneiro nos Açores, desenvolvido por Luís Costa, jornalista, repórter residente da RTP/Açores na ilha Graciosa. Criado a 17 de novembro de 2009.

Este blogue foi "caso de estudo" na tese de mestrado da jornalista Fabiana Bravo: "O jornalismo hiper-local na era digital - o contributo do Graciosa Online para a RTP", defendida a 16 de julho de 2012 na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e obteve 16 valores.





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Luís Miguel da Cunha Costa nasceu na ilha Graciosa em 1978-04-06. Em setembro de 1996, ainda com o estatuto de trabalhador estudante, iniciou funções de animador, repórter de informação e narrador desportivo na Rádio Graciosa. Foi também colaborador do jornal Diário Insular na área do desporto. É reporter de ilha da RDP desde fevereiro de 1999 e da RTP desde agosto de 2004, sendo o primeiro correspondente a prestar serviços nos Açores para a rádio e televisão em simultâneo, ainda antes da fusão das respetivas empresas. Foi também pioneiro na utilização das ferramentas digitais com o lançamento do "graciosa online" em 2009. É colaborador da Rádio Graciosa e do mensal "O Breves". Exerce ainda as funções de operador de assistência em escala, sendo efetivo da Sata Air Açores, a tempo parcial, desde 2001.



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Bilheteira: 20h30 | Sessão: 21h30




 

GRACIOSA LHE CHAMARAM...


 

A Ilha Graciosa desenha-se ao longe
como dois bocados de pão mal partidos

Vitorino Nemésio, in
Corsário das Ilhas





Ei-la surgindo mimosa
das águas do fundo do mar,
Rainha leda e garbosa
No Atlântico a reinar!
Esmeralda dos Açores,
Lindo açafate de flores,
Feitiço de mil primores,
Berço gentil de amores!
Oh, pátria, te vou cantar.

António Gil, 1868





A Graciosa dum verde
muito tenro acabando
dum lado e do outro
em penhascos decorativos...

Raul Brandão, in
As Ilhas Desconhecidas





"À primeira vista" parece por vezes, ser uma paisagem agreste; mas logo surge uma encosta florida, uma Feteira de arvoredo frondoso, um vale das Courelas com suas culturas e os afamados vinhedos da Terra do Conde, e outros motivos que nos alegram a vista.

José Simões Borges, in
Manhãs de Sábado 





Amo as rochas empinhadas
que ao oeste e norte dão
- pontas da serra escalvadas
- Do Pico Negro a negridão;
Amo as costas do nascente
Onde as ondas mansamente
Vão quebrar sua corrente
No areal tão luzente
Do sol ao mago clarão.

António Gil, 1868





Quem te pôs nome tão
lindo,
Que é tão próprio,
tão teu,
Nos legou eterna prova
Do bom gosto e génio seu...

António Borges do Canto Moniz, in
Ilha Graciosa





Falar desta ilha é,
antes demais,
falar do paraíso perdido
na minha infância,
isto é, da alegria
dos meus verdes anos.

Victor Rui Dores, in
A Graciosa Ilha





Que risonho panorama,
Que subline inspiração!
Se o meu estro se par'cesse
Ao que o sente o coração,
Em torrentes de poesia
Te inundara, ilha formosa.
E um poema escreveria,
Que eu chamara - GRACIOSA.

João Hermeto d'Amarante, in
Páginas de Prosa e Verso





Santa Cruz, a capital
É a mais linda p'ra mim
das vilas de Portugal
Santa Cruz é um jardim.
Guadalupe, linda aldeia
Onde crescem os trigais
No céu, linda lua cheia
Ilumina seus casais.
A Praia olhando o mar
Sorri contente ao ilhéu
E o sul vive a sonhar
Com a Luz olhando o céu.

Juventino Silva Correia, in
Juventino Ramos, poeta cantador





E aquela gente!!! De sorriso sempre aberto, mesmo que o coração se lhes doa, mesmo que a velhice as consuma, mesmo que a pobreza se lhes aperte...

Rosa Meireles, in
Graciosa ilha serena 





Aqui
entre o azul
e o mar que me circunda
é quase perfeita a coincidência.
Atrevida e fugazmente desfeita
por um verde envergonhado
que acaba sempre azul
ou categoricamente esfacelada
por um inequívoco e invernal
cinzento.

E no âmago do liquido,
lá onde a luz se perde
e onde a luz se faz,
a abissal fosforescência
de peixes misteriosos,
a ondulante e sensual
insinuação das algas
e a secreta e vital marca
do mais remoto início.

E lá ficamos
plasmados num horizonte
vertical e marítimo
onde bate sereno e azul
o nosso olhar.
Ouve-se então
claro e inconfundível
o grito
da criação. 

Manuel Jorge Lobão, in
Passam Seres Luminosos Vestidos de Vermelho 





Aqui deixamos a
Ilha Graciosa,
ao por do sol,
que fica à espera
daqueles que sabem
apreciar a natureza
em toda a sua força,
por vezes quase
selvagem!

Norberto da Cunha Pacheco, in
Graciosa, Imagens e Palavras





Branca,
desmaia-te o gesto
na brisa que poisa,
borboleia-te
a cor do íris
que poiso breve,
melodia-te
o negro azulado,
húmido,
do grito em serenata,
rendeia-te
o frio de chuva,
bailarino
voado em vento,
baralha-te
o pingo de água,
lágrima de telha,
beiral
de nada abrigo...

José Berto
 

        
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