Terça, 21 de Maio de 2013
Pesquisa na RTP Açores - Informação e Desporto

Graciosa Online

Porque nem todas as imagens cabem no Telejornal. Nem todos os graciosenses vivem na Graciosa. Este é um blogue com vídeos da ilha.

Luís Costa

2012-06-13 11:22:40

Dos pseudo pintores




Em Lisboa assisto a uma exposição de pintura que me deixa dúvidas insuperáveis.

Estão ali pinturas que não são pinturas - são insultos à minha inteligência e à minha sensibilidade.

Sou homem do meu tempo, aceito a criação contemporânea e todas as preocupações e perplexidades dos nossos dias. É óbvio que a arte pictórica convoca o transcendente e o mágico. Aceito a inventividade, o sentido da liberdade criadora, como aceito a dissonância musical ou a liberdade poética. Aceito o valor absoluto da cor como expressão formal. Aceito o absurdo e o nonsense como intenção artística - o que não aceito são disparates. Não me interessa se o quadro é figurativo ou abstracto, se é naïf ou geométrico - o que não quero é ver borrões despropositados...

Perante uma tela, quero apreciar formas plásticas, fragmentos, gestos, colagens, composições, formas, figuras, cores, fusões e contrastes, enfim, quero ver trabalho com os materiais. Quero perceber como é que, a partir de um processo, o pintor chegou a um produto final; e, já agora, quero sentir uma emoção, um sentimento, um estado de alma.

Tenho muito medo dos artistas que se dizem inovadores

Mas, hèlas, tal como nalguma literatura, também na pintura mais recente o desconstrutivismo parece fazer moda e constituir escola. Alguns auto-denominados pintores desejam ser dissolventes, iconoclastas e subversivos, procurando, numa suposta originalidade, um refúgio para a sua falta de conhecimentos básicos de pintura...

O resultado está no que se vê e o que vi na referida exposição é muito mau: uma pintura inexpressiva e inútil, árida e seca, uma arte primária, infantil, desprovida de bom gosto e sem o menor vestígio de cultura. Onde está a humana expressão?

Parece que, para alguns pintores, o supremo refinamento é darem a impressão de que não sabem desenhar, alegando que isso representa uma busca do ingénuo, da pureza das linhas. E chamam àquilo obras de arte... Confunde-se, deste modo, criatividade com insolência. E, despudoradamente, esses "artistas" cobram, por cada um dos seus sórdidos e grotescos quadros, a quantia mínima de 400 e 500 euros, quadros que eu nem de borla queria e nem na minha garagem ficavam bem...

Tenho muito medo dos artistas que se dizem inovadores. Aliás, o que vejo em muita pintura moderna feita por portugueses é um dèjá vu formal e uma modernidade com mais de 70 anos de existência...

Sejamos sérios. Entre os que conhecem anatomia plástica e erram deliberadamente e os que, por não saberem em absoluto desenhar e pintar, abraçam uma pseudo escola nova com extremo recurso, existe uma diferença abissal.

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Saio da galeria e é já noite fechada. Olho o céu de Lisboa. Preciso de ver estrelas para me convencer que ainda há esperança no mundo.
            

por: Victor Rui Dores



A Graciosa está aqui. Porque nem todas as imagens cabem no Telejornal e nem todos os graciosenses vivem na Graciosa. O Graciosa Online é um blogue com vídeos, noticias e opinião da ilha branca, reserva da biosfera. Esta é a nossa janela para o mundo.

Projeto pioneiro nos Açores, desenvolvido por Luís Costa, jornalista, repórter residente da RTP/Açores na ilha Graciosa. Criado a 17 de novembro de 2009.

Este blogue foi "caso de estudo" na tese de mestrado da jornalista Fabiana Bravo: "O jornalismo hiper-local na era digital - o contributo do Graciosa Online para a RTP", defendida a 16 de julho de 2012 na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e obteve 16 valores.





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Luís Miguel da Cunha Costa nasceu na ilha Graciosa em 1978-04-06. Em setembro de 1996, ainda com o estatuto de trabalhador estudante, iniciou funções de animador, repórter de informação e narrador desportivo na Rádio Graciosa. Foi também colaborador do jornal Diário Insular na área do desporto. É reporter de ilha da RDP desde fevereiro de 1999 e da RTP desde agosto de 2004, sendo o primeiro correspondente a prestar serviços nos Açores para a rádio e televisão em simultâneo, ainda antes da fusão das respetivas empresas. Foi também pioneiro na utilização das ferramentas digitais com o lançamento do "graciosa online" em 2009. É colaborador da Rádio Graciosa e do mensal "O Breves". Exerce ainda as funções de operador de assistência em escala, sendo efetivo da Sata Air Açores, a tempo parcial, desde 2001.



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 NOME     NOME     NOME 

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  Cunha                  Picanço                 Lobão
 NOME     NOME     NOME 

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Rogério                  Rui                      Sérgio     
Mendonça              Carneiro            Mendonça
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Sofia                     Teresa                  Vânia  
Rocha                   Reis                      Bettencourt 
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Victor                   William
Rui Dores             Brenuvida
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Bilheteira: 20h30 | Sessão: 21h30




 

GRACIOSA LHE CHAMARAM...


 

A Ilha Graciosa desenha-se ao longe
como dois bocados de pão mal partidos

Vitorino Nemésio, in
Corsário das Ilhas





Ei-la surgindo mimosa
das águas do fundo do mar,
Rainha leda e garbosa
No Atlântico a reinar!
Esmeralda dos Açores,
Lindo açafate de flores,
Feitiço de mil primores,
Berço gentil de amores!
Oh, pátria, te vou cantar.

António Gil, 1868





A Graciosa dum verde
muito tenro acabando
dum lado e do outro
em penhascos decorativos...

Raul Brandão, in
As Ilhas Desconhecidas





"À primeira vista" parece por vezes, ser uma paisagem agreste; mas logo surge uma encosta florida, uma Feteira de arvoredo frondoso, um vale das Courelas com suas culturas e os afamados vinhedos da Terra do Conde, e outros motivos que nos alegram a vista.

José Simões Borges, in
Manhãs de Sábado 





Amo as rochas empinhadas
que ao oeste e norte dão
- pontas da serra escalvadas
- Do Pico Negro a negridão;
Amo as costas do nascente
Onde as ondas mansamente
Vão quebrar sua corrente
No areal tão luzente
Do sol ao mago clarão.

António Gil, 1868





Quem te pôs nome tão
lindo,
Que é tão próprio,
tão teu,
Nos legou eterna prova
Do bom gosto e génio seu...

António Borges do Canto Moniz, in
Ilha Graciosa





Falar desta ilha é,
antes demais,
falar do paraíso perdido
na minha infância,
isto é, da alegria
dos meus verdes anos.

Victor Rui Dores, in
A Graciosa Ilha





Que risonho panorama,
Que subline inspiração!
Se o meu estro se par'cesse
Ao que o sente o coração,
Em torrentes de poesia
Te inundara, ilha formosa.
E um poema escreveria,
Que eu chamara - GRACIOSA.

João Hermeto d'Amarante, in
Páginas de Prosa e Verso





Santa Cruz, a capital
É a mais linda p'ra mim
das vilas de Portugal
Santa Cruz é um jardim.
Guadalupe, linda aldeia
Onde crescem os trigais
No céu, linda lua cheia
Ilumina seus casais.
A Praia olhando o mar
Sorri contente ao ilhéu
E o sul vive a sonhar
Com a Luz olhando o céu.

Juventino Silva Correia, in
Juventino Ramos, poeta cantador





E aquela gente!!! De sorriso sempre aberto, mesmo que o coração se lhes doa, mesmo que a velhice as consuma, mesmo que a pobreza se lhes aperte...

Rosa Meireles, in
Graciosa ilha serena 





Aqui
entre o azul
e o mar que me circunda
é quase perfeita a coincidência.
Atrevida e fugazmente desfeita
por um verde envergonhado
que acaba sempre azul
ou categoricamente esfacelada
por um inequívoco e invernal
cinzento.

E no âmago do liquido,
lá onde a luz se perde
e onde a luz se faz,
a abissal fosforescência
de peixes misteriosos,
a ondulante e sensual
insinuação das algas
e a secreta e vital marca
do mais remoto início.

E lá ficamos
plasmados num horizonte
vertical e marítimo
onde bate sereno e azul
o nosso olhar.
Ouve-se então
claro e inconfundível
o grito
da criação. 

Manuel Jorge Lobão, in
Passam Seres Luminosos Vestidos de Vermelho 





Aqui deixamos a
Ilha Graciosa,
ao por do sol,
que fica à espera
daqueles que sabem
apreciar a natureza
em toda a sua força,
por vezes quase
selvagem!

Norberto da Cunha Pacheco, in
Graciosa, Imagens e Palavras





Branca,
desmaia-te o gesto
na brisa que poisa,
borboleia-te
a cor do íris
que poiso breve,
melodia-te
o negro azulado,
húmido,
do grito em serenata,
rendeia-te
o frio de chuva,
bailarino
voado em vento,
baralha-te
o pingo de água,
lágrima de telha,
beiral
de nada abrigo...

José Berto
 

        
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