Quarta, 22 de Maio de 2013
Pesquisa na RTP Açores - Informação e Desporto

Graciosa Online

Porque nem todas as imagens cabem no Telejornal. Nem todos os graciosenses vivem na Graciosa. Este é um blogue com vídeos da ilha.

Luís Costa

2012-08-08 00:00:27

Como é que a Saúde adoeceu?




Estamos a "dever as gadelhas", no que ao Sistema Regional de Saúde diz respeito. A situação é tanto mais incompreensível, quando constatamos a qualidade do serviço prestado, que manifestamente sofre de muitas insuficiências. No total, são 600 milhões de euros de dívida, diz o governo. São 1000 milhões de euros, diz a oposição. A Região devia 49,6 milhões de euros a fornecedores em 2011, mas o governo defende-se dizendo que tem a receber 36,9 milhões dos subsistemas nacionais de saúde.

Segundo a investigação do Diário de Notícias publicada a 6 de Agosto de 2012, a dívida da Região no sector da saúde junta 462 milhões de passivo dos hospitais, 252,2 milhões por conta da Saudaçor e 378 milhões relativos à construção do novo Hospital da Terceira. A dívida total, tudo indica, ronda assim os tais 1000 milhões de euros. Na saúde, cada Açoriano deve 14 vezes mais do que um continental.

O aperto financeiro está já a estrangular o sistema, que dá sinais claros de perturbação. As distribuidoras de produtos de saúde e medicamentos ameaçam cortar o fornecimento, já há cirurgias canceladas e contenção no uso de "material sofisticado". São os próprios médicos a admiti-lo.

A responsabilidade desta situação certamente não é dos cidadãos. No entanto, tem-se instalado a ideia perigosa de que o sistema gasta demasiado com as deslocações de doentes. Não me parece que os doentes andem a passear, alguns deles sentados horas e horas em cadeiras de rodas nos aeroportos, muitas vezes com doenças em fases terminais. Recordo que os custos com deslocações, entre ilhas e para o continente, se situam nos 4,5 milhões de euros anuais. Não é de todo um valor incomportável. Se o Hospital da Terceira tivesse custado 139 milhões, como estava inicialmente orçamentado, o restante valor que foi efetivamente gasto serviria para pagar 53 anos de deslocações.

Se o Hospital da Terceira tivesse custado 139 milhões, como estava inicialmente orçamentado, o restante valor que foi efetivamente gasto serviria para pagar 53 anos de deslocações.

Os doentes têm direito a acederem a tratamentos especializados. As unidades de saúde da maioria das ilhas prestam cuidados básicos de saúde. Não têm competência para responderem a necessidades de tratamento diferenciado.  Daí a indispensabilidade permanente da deslocação de doentes, uma consequência direta da geografia das ilhas. 

Relativamente à prestação de cuidados propriamente dita, o sistema tem enfermeiros a mais e médicos a menos. Conta-se um enfermeiro por cada 178 habitantes, quando a organização mundial de saúde recomenda 1 enfermeiro por cada 300 famílias. Em relação aos médicos, contam-se 2,3 médicos/por mil habitantes, enquanto o continente regista 4,1 médicos/por mil habitantes.

A sensação que fica é que não foi dada devida atenção ao problema financeiro do sector. A situação foi-se agravando ao longo dos últimos anos, levando mais um abanão com a derrapagem gigantesca no custo do novo Hospital da Terceira. Orçado em 139 milhões, viu este valor aumentar para os 378 milhões. Foram 239 milhões a mais do que o previsto, quase o triplo do valor inicial. Para onde foi ou irá esse dinheiro? Como foi possível uma derrapagem desta dimensão? Como reequilibrar agora o nosso Sistema Regional de Saúde? São perguntas que os Açorianos têm o direito de ver respondidas.

por: Marco Martins



A Graciosa está aqui. Porque nem todas as imagens cabem no Telejornal e nem todos os graciosenses vivem na Graciosa. O Graciosa Online é um blogue com vídeos, noticias e opinião da ilha branca, reserva da biosfera. Esta é a nossa janela para o mundo.

Projeto pioneiro nos Açores, desenvolvido por Luís Costa, jornalista, repórter residente da RTP/Açores na ilha Graciosa. Criado a 17 de novembro de 2009.

Este blogue foi "caso de estudo" na tese de mestrado da jornalista Fabiana Bravo: "O jornalismo hiper-local na era digital - o contributo do Graciosa Online para a RTP", defendida a 16 de julho de 2012 na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e obteve 16 valores.





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Luís Miguel da Cunha Costa nasceu na ilha Graciosa em 1978-04-06. Em setembro de 1996, ainda com o estatuto de trabalhador estudante, iniciou funções de animador, repórter de informação e narrador desportivo na Rádio Graciosa. Foi também colaborador do jornal Diário Insular na área do desporto. É reporter de ilha da RDP desde fevereiro de 1999 e da RTP desde agosto de 2004, sendo o primeiro correspondente a prestar serviços nos Açores para a rádio e televisão em simultâneo, ainda antes da fusão das respetivas empresas. Foi também pioneiro na utilização das ferramentas digitais com o lançamento do "graciosa online" em 2009. É colaborador da Rádio Graciosa e do mensal "O Breves". Exerce ainda as funções de operador de assistência em escala, sendo efetivo da Sata Air Açores, a tempo parcial, desde 2001.



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GRACIOSA LHE CHAMARAM...


 

A Ilha Graciosa desenha-se ao longe
como dois bocados de pão mal partidos

Vitorino Nemésio, in
Corsário das Ilhas





Ei-la surgindo mimosa
das águas do fundo do mar,
Rainha leda e garbosa
No Atlântico a reinar!
Esmeralda dos Açores,
Lindo açafate de flores,
Feitiço de mil primores,
Berço gentil de amores!
Oh, pátria, te vou cantar.

António Gil, 1868





A Graciosa dum verde
muito tenro acabando
dum lado e do outro
em penhascos decorativos...

Raul Brandão, in
As Ilhas Desconhecidas





"À primeira vista" parece por vezes, ser uma paisagem agreste; mas logo surge uma encosta florida, uma Feteira de arvoredo frondoso, um vale das Courelas com suas culturas e os afamados vinhedos da Terra do Conde, e outros motivos que nos alegram a vista.

José Simões Borges, in
Manhãs de Sábado 





Amo as rochas empinhadas
que ao oeste e norte dão
- pontas da serra escalvadas
- Do Pico Negro a negridão;
Amo as costas do nascente
Onde as ondas mansamente
Vão quebrar sua corrente
No areal tão luzente
Do sol ao mago clarão.

António Gil, 1868





Quem te pôs nome tão
lindo,
Que é tão próprio,
tão teu,
Nos legou eterna prova
Do bom gosto e génio seu...

António Borges do Canto Moniz, in
Ilha Graciosa





Falar desta ilha é,
antes demais,
falar do paraíso perdido
na minha infância,
isto é, da alegria
dos meus verdes anos.

Victor Rui Dores, in
A Graciosa Ilha





Que risonho panorama,
Que subline inspiração!
Se o meu estro se par'cesse
Ao que o sente o coração,
Em torrentes de poesia
Te inundara, ilha formosa.
E um poema escreveria,
Que eu chamara - GRACIOSA.

João Hermeto d'Amarante, in
Páginas de Prosa e Verso





Santa Cruz, a capital
É a mais linda p'ra mim
das vilas de Portugal
Santa Cruz é um jardim.
Guadalupe, linda aldeia
Onde crescem os trigais
No céu, linda lua cheia
Ilumina seus casais.
A Praia olhando o mar
Sorri contente ao ilhéu
E o sul vive a sonhar
Com a Luz olhando o céu.

Juventino Silva Correia, in
Juventino Ramos, poeta cantador





E aquela gente!!! De sorriso sempre aberto, mesmo que o coração se lhes doa, mesmo que a velhice as consuma, mesmo que a pobreza se lhes aperte...

Rosa Meireles, in
Graciosa ilha serena 





Aqui
entre o azul
e o mar que me circunda
é quase perfeita a coincidência.
Atrevida e fugazmente desfeita
por um verde envergonhado
que acaba sempre azul
ou categoricamente esfacelada
por um inequívoco e invernal
cinzento.

E no âmago do liquido,
lá onde a luz se perde
e onde a luz se faz,
a abissal fosforescência
de peixes misteriosos,
a ondulante e sensual
insinuação das algas
e a secreta e vital marca
do mais remoto início.

E lá ficamos
plasmados num horizonte
vertical e marítimo
onde bate sereno e azul
o nosso olhar.
Ouve-se então
claro e inconfundível
o grito
da criação. 

Manuel Jorge Lobão, in
Passam Seres Luminosos Vestidos de Vermelho 





Aqui deixamos a
Ilha Graciosa,
ao por do sol,
que fica à espera
daqueles que sabem
apreciar a natureza
em toda a sua força,
por vezes quase
selvagem!

Norberto da Cunha Pacheco, in
Graciosa, Imagens e Palavras





Branca,
desmaia-te o gesto
na brisa que poisa,
borboleia-te
a cor do íris
que poiso breve,
melodia-te
o negro azulado,
húmido,
do grito em serenata,
rendeia-te
o frio de chuva,
bailarino
voado em vento,
baralha-te
o pingo de água,
lágrima de telha,
beiral
de nada abrigo...

José Berto
 

        
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