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Aníbal Pires

100 anos de República (2)

Publicado: 2010-06-30 12:37:48 | Actualizado: 2010-06-30 12:38:22
Por: António Gil
100 anos de República (2)


O desenvolvimento desigual do capitalismo conduziu a alterações na relação de forças e ao agravamento das contradições inter-imperialistas que virão a ter como desfecho a I Guerra Mundial.

A influência dos EUA cresceu e passou a rivalizar, no plano industrial com a Grã-Bretanha, Alemanha e França. A Itália e a Alemanha, nações unificadas no final do século XIX e o seu crescente poder económico e influência começam a colocar em causa a hegemonia do império Britânico.

O Japão e mais tarde a China vão-se afirmando como potências asiáticas. A vitória do Japão na guerra russo-japonesa animou o militarismo, reforçou as ambições imperialistas do Japão e expôs a fragilidade da Rússia czarista dando origem à revolução russa de 1905 que, segundo alguns autores, foi apenas um ensaio da Revolução de 1917.

Foi neste quadro que a Inglaterra, pretendendo apoderar-se de vastos territórios do interland africano, lança a Portugal o já aludido Ultimatum de 1890 e mais tarde empurra o nosso país para a I Guerra Mundial (1914-1918).

Mas este foi também um tempo de avanço revolucionário, de difusão do marxismo no movimento operário, de fundação de fortes partidos da classe operária e de grandes lutas populares.

À data da revolução de 1910, o nosso país era essencialmente agrário, 66,2% da população residia no espaço rural. Excluindo a produção vinícola, o país era deficitário em produtos alimentares. A organização da propriedade, a predominância de grandes proprietários agrícolas absentistas e a exploração de mão-de-obra barata em detrimento do progresso técnico, uma elevada taxa de analfabetismo contam-se como as principais causas do atraso e da dependência externa da economia portuguesa.

A indústria portuguesa em que predominavam as pequenas e micro unidades, conservava processos produtivos obsoletos e mantinha uma vocação subsidiária da agricultura ou dependente dos mercados coloniais.

Para fugir à miséria, grandes massas de camponeses de camponeses migraram para as cidades, porém, a debilidade do tecido industrial português, incapaz de absorver a mão-de-obra excedente, determinava um crescendo exponencial da emigração, na sua maioria para o Brasil.

Apesar dos constrangimentos a que me referi Portugal conheceu, nos anos que antecederam a implantação da República, um significativo processo de desenvolvimento industrial que acompanhou o desenvolvimento urbano, em particular de Lisboa e do Porto e o consequente crescimento da pequena e média burguesia ligada aos sectores dos serviços que viam na monarquia um obstáculo à sua afirmação e expansão.

Em consequência deste processo crescia o número de trabalhadores, bem como a sua concentração e, subsequente organização em associações de classe, que teve como resultado a intensificação de lutas reivindicativas. Nos últimos anos da Monarquia, os escândalos relacionados com o despesismo da casa real indignavam os sectores mais afectados pelo atraso económico e social do país, que viam na implantação da República a via para a superação do atraso de Portugal e, por essa via, a satisfação das suas reivindicações.

(continua)

Aníbal C. Pires, Angra do Heroísmo, 06 de Junho de 2010

www.anibalpires.blogspot.com

 
Aníbal Pires Aníbal Pires ANIBAL DA CONCEIÇÃO PIRES, 52 Anos, natural de Castelo Branco, casado, 3 filhos, professor na Escola Básica Integrada Canto da Maia – Ponta Delgada.

Alguns dados curriculares:

Licenciado em Ensino de Educação Tecnológica;
Mestrado em Relações Interculturais (Política Intercultural);
É Doutorando em Geografia Humana (Migrações Internacionais), no Departamento de Geografia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Integra o grupo de “stakehoulders” portugueses no projecto “Social Polis”;
Foi Presidente do Conselho Directivo da Escola Preparatória dos Arrifes (1990-1996);
Foi eleito na Assembleia Municipal de Ponta Delgada em 2001/2005;
Coordenador Regional do PCP e da CDU Açores (desde Abril de 2005)
Dirigente do Sindicato dos Professores da Região Açores (SPRA);
Foi membro do Conselho Nacional da FENPROF;
Foi membro do Conselho Regional de Concertação Estratégica (Região Autónoma dos Açores), em representação dos Sindicatos Independentes;
Membro Fundador da Associação dos Imigrantes do Açores (AIPA);
Foi Vice-presidente da Associação dos Imigrantes nos Açores (AIPA);
Colaborador da Associação Caboverdiana de Setúbal (ACVS);
Integrou desde a génese, na qualidade de dirigente da AIPA e colaborador da ACVS, a Plataforma das Estruturas Representativas das Comunidades Imigrantes em Portugal (PERCIP);
Colaborador e Colunista na imprensa da Região Autónoma dos Açores (Açoriano Oriental, A União, Expresso das Nove);
Foi comentador residente na Rádio Açores/TSF no programa de análise política regional, nacional e internacional, “Conversa a 4”
Foi Coordenador do Departamento de Formação Profissional do STFPSA;
Fundador do Clube Desportivo Escolar da Escola Preparatória de Arrifes sendo, actualmente o Presidente da Mesa da Assembleia Geral;
Fundador da Associação de Andebol de São Miguel (7 de Dezembro de 1994) na qual exerceu vários cargos de Direcção;
Foi Presidente da Assembleia Geral da União das Associações de Andebol dos Açores;
Colabora em equipas multidisciplinares de estudos e projectos;
É fotógrafo amador;
Deputado Regional;

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